Depois de mais de 25 anos de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e a União Europeia caminha para sua fase decisiva. Trata-se de um dos maiores tratados de livre comércio do mundo, envolvendo cerca de 700 milhões de consumidores e um fluxo anual superior a €111 bilhões em bens.
Para o importador brasileiro, o acordo não é apenas diplomacia: é mudança estrutural de custos, regras e competitividade. A Harpia analisa o que está em jogo e como se preparar.
1999 – Início formal das negociações entre os blocos.
2019 – Anúncio de um acordo político preliminar.
2020–2023 – Revisões, ajustes técnicos e inclusão de compromissos ambientais e sociais.
2024–2025 – Intensificação das negociações finais e enfrentamento de resistências internas na UE.
2025 – Aprovação do acordo pelo Conselho da União Europeia, por maioria qualificada, apesar de votos contrários de países como França, Polônia e Áustria.
17 de janeiro de 2026 (previsto) Assinatura formal do acordo em Assunção, durante cúpula do Mercosul.
Pós-2026 – Tramitação legal:
O texto consolidado está organizado em dois instrumentos centrais:
Esse desenho é crucial: os impactos para importadores podem começar antes do acordo “completo”.
Para o Brasil, isso significa queda progressiva de custos de importação, especialmente em bens industriais.
Ganhos claros para quem importa da Europa:
A redução tarifária será escalonada, exigindo planejamento de médio e longo prazo.
O acordo traz regras mais sofisticadas de origem, sustentabilidade e rastreabilidade.
Não basta importar mais barato, será preciso importar corretamente.
Aqui, o papel de uma assessoria técnica especializada se torna decisivo.
O texto prevê cláusulas de salvaguarda que permitem à UE reagir rapidamente se houver desequilíbrios graves, especialmente no setor agrícola. Isso reduz riscos políticos, mas pode gerar volatilidade regulatória.
Apesar da aprovação no Conselho da UE, o acordo enfrenta:
Ainda assim, a leitura predominante em Bruxelas é que o acordo tem peso geopolítico estratégico, reduzindo dependências globais e fortalecendo cadeias alternativas, especialmente em um mundo mais fragmentado.
Do ponto de vista do importador, o acordo cria três grandes movimentos estruturais:
Menos imposto, mais previsibilidade e maior competitividade frente a fornecedores asiáticos e norte-americanos.
Empresas que hoje não importam da Europa passarão a considerar o continente como alternativa viável, especialmente em itens de maior valor agregado.
Sustentabilidade, regras de origem, compliance aduaneiro e contratos internacionais mais sofisticados exigirão gestão técnica especializada.
Importar ficará potencialmente mais barato, mas também mais técnico.
O acordo Mercosul–União Europeia representa uma virada estrutural no comércio internacional brasileiro. Ele abre oportunidades relevantes, mas premia quem se antecipa, entende os cronogramas tarifários, ajusta sua cadeia de suprimentos e opera com inteligência regulatória.
Na visão da Harpia, o importador que começar a se preparar agora estará dois passos à frente quando as tarifas começarem a cair.
Livre comércio não elimina a complexidade ele muda o jogo.
E jogo de alto nível exige estratégia, dados e execução profissional.